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miércoles, 21 de septiembre de 2022

Realejo - Cenarios - 1998 - Portugal

«Confesso os meus receios: que dizer de algo que foi criado para ser ouvido? Que aqui e agora se procura dar presença máxima às raízes, procurando antecipar a razão de ser do futuro, recriando no presente uma música cuja razão de ser é vida e emoção cultural? Ou que são fragmentos culturais de uma memória colectiva não raro adormecida e não menos raro menosprezada? Não isto já todos sabem e nada acrescenta à audição destes "Cenários", do Realejo!

Já sei: avanço pela questão da autenticidade expressiva que dimana de cada composição, com uma originalidade assente na variedade dos estilos musicais aqui soberbamente ilustrados ou sugeridos. Pois, mas já todos sabemos que os cânones tradicionais não podem (nem devem!) ser encarados como algo de estático, parado num tempo determinado, mas sim como expressão de mutações permanentes, de enriquecimentos constantes no diálogo com outros povos e outras culturas. Mas, assim colocadas as coisas, uma vez mais a sensação de estar a limitar-se a simples constatações!
No entanto, uma coisa é certa: com a música do Realejo, a (re)criação inspira-se e alicerça-se nos elementos significantes do nosso legado tradicional, sem menosprezar as pressões estéticas da modernidade, mas de uma contemporaneidade expressiva de tal modo enraizada que as novas composições parecem emergir do mais profundo da nossa mais autêntica tradição. Aqui chegados, dirão alguns: pois, a velha questão da identidade!... Claro que sim, a "velha" questão da identidade, mas não de uma identidade abstracta e criada em vácuo formalista mas sim num contexto de amplas interacções influentes. Tanto mais que nenhuma cultura pode reclamar como própria uma música desligada do intercâmbio e do diálogo com as expressões musicais de outros povos. E é tudo uma questão de equilíbrio expressivo, direi. Mas isso é mais que evidente e nada de original, dirão outros, invocando Nettl: trata-se de um equilíbrio entre a ideia da música tradicional como fenómeno nacional ou regional e o conceito de música folclórica como um tipo de música supranacional.

Embora a música do Realejo se inscreva no contexto das eurofonias tradicionais e de inspiração tradicinal, nunca é de mais reconhecê-lo em termos culturais. Recordo um concerto do Realejo nos palcos Intercélticos: da memória dos sons da surpresa parte hoje para a alegria da (re)criação dos sons da cultura. Mais do que um grupo, o Realejo afirma-se hoje como um verdadeiro projecto cultural. E é aqui que as palavras de revelam de todo inúteis. E porque esta música é acima de tudo emoção da vida, que cesse a crónica e se renove em cada audição o sortilégio da nossa própria (re)descoberta.» (Mário Correia, 1998)

 1. Amanhecer (Amadeu Magalhães)
2. Music for a Found Harmonium (Simon Jeffes)
3. Bendito das Trovoadas (Tradicional – Beira Baixa)
4. Maragato Son (Tradicional – Paradela, Miranda do Douro)
5. Cenários I (Nau Trevairs, Rondeau – tradicional de Gers; Polka de Force Majeure – Patrick Couton; Polka Piquée d’Allard – tradicional; Rondeau du Savès – tradicional de Gers)
6. Quiçá (Amadeu Magalhães)
7. São Gonçalo de Amarante (Tradicional – Douro Litoral)
8. Cantiga de Realejo (Amadeu Magalhães)
9. Deus te salve, ó Rosa (Tradicional – Aljezur, Algarve)
10. Nunca me canso (Amadeu Magalhães)
11. Final de Inverno (Amadeu Magalhães)
12. Tornelinho (Amadeu Magalhães)
13. Cenários II (Moda de Harmónio – Carregal Fundeiro, Castanheira de Pêra; Frei João – Ilha da Madeira; Escumalha – Moinho da Mata, Montemor-o-Velho)

Recolhas: Michel Giacometti ("Bendito das Trovoadas" e "Maragato Son"), César das Neves e Gualdino de Campos ("São Gonçalo de Amarante"), Fernando Meirelles ("Moda de Harmónio"), Xarabanda ("Frei João") e Júlio Gomes ("Escumalha")

Realejo:
Fernando Meireles – sanfonas, cavaquinhos, bandolim, trancanholas e percussões
Amadeu Magalhães – concertina, gaita-de-foles, flautas, viola braguesa, cavaquinhos, bandolim, bandola, guitarra, sarronca, trancanholas e percussões
Ofélia Ribeiro – violoncelo
Miguel Areia – violino
José Nunes – guitarras e bandolim

Arranjos – Amadeu Magalhães

Gravado nos Estúdios Namouche, Lisboa, por João Pedro de Castro
Misturado nos Estúdios Êxito, por Dominique Borde
Masterizado nos Estúdios Edit, por Dominique Borde e Joaquim Monte

Fotografia do grupo – Miguel Ramos
Fotos e pormenores dos instrumentos – Carlos Barata
Design gráfico e tratamento de imagens em computador – Dupla

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